quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mentes Perigosas - O psicopata mora ao lado - Ana Beatriz Barbosa Silva



Depois de muito ouvir falar a respeito, tive a oportunidade de ler este livro. O assunto é muito interessante, e é algo que instiga nossa curiosidade, principalmente nos dias de hoje, em que vemos tantas barbaridades acontecendo por aí.

Neste livro, é possível encontrar informações a respeito das características e do modo de agir mais comuns aos psicopatas, sempre preocupando-se em deixar claro que um diagnóstico preciso vai muito além disso, e deve ser feito por um especialista.

A preocupação da autora é mais no sentido de alertar as pessoas, porque o psicopata tem, como uma de suas características marcantes, a simpatia (fingida) e a manipulação. Ou seja, é muito fácil deixar envolver-se por uma pessoa assim. E a destruição que ela pode causar é muito grande.

Além disso, o livro cita casos da experiência de atendimento da autora, que é psiquiatra, além de outros que são conhecidos do público.

A psicopatia é um transtorno da personalidade na qual o campo dos afetos e das emoções está bastante comprometido, e por esse motivo, a pessoa é incapaz de sentimentos como compaixão, amor, culpa, respeito. A única coisa que importa a ela é obter o que deseja, chegar ao seu objetivo, e para conseguir isso, ela utiliza todas as ferramentas que possui, sem preocupar-se minimamente com os estragos feitos nas vidas alheias. Existem diversos graus de psicopatia, e, por isso, muitos convivem por aí, com as outras pessoas, sem despertar suspeitas. Diferente do que muitas pessoas imaginam, uma pessoa com esse tipo de transtorno sabe muito bem o que está fazendo, as regras sociais e morais que está infringindo, mas pouco importa-se com isso. Alcançar o seu objetivo, seja qual for, é o mais importante.

É uma leitura fácil, bastante interessante, tanto para leigos quanto para profissionais da área da saúde.

Recomendo!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Psicoterapia: para quê?


Há não muito tempo, dizia-se que Psicólogo era coisa para loucos. Portanto, as pessoas sentiam medo da exposição que teriam ao procurar a ajuda deste profissional. Hoje, nas grandes cidades, principalmente, isso mudou bastante. Dizer que faz psicoterapia é quase chic. Mas, qual é o trabalho do Psicólogo? Em que ele diferencia-se de um Psiquiatra? Quando procurá-lo?

Psicólogo é o profissional formado em Psicologia, curso de graduação que tem duração, normalmente, de 5 anos. Assim como em outras áreas, a Psicologia possui uma série de especializações, dentre elas a Psicologia Clínica. A psicoterapia é o processo conduzido pelo Psicólogo Clínico, com o objetivo principal de ajudar a pessoa que o procura a se autoconhecer, possibilitando, com isso, que ela possa reconhecer e desenvolver seus potenciais, manejar melhor momentos de crise, conhecer características próprias que atrapalham seu desenvolvimento, seus relacionamentos, e ter a oportunidade de mudar, ou ao menos, compreender por que age de determinadas maneiras.

O Psiquiatra é o profissional formado em Medicina, e que especializou-se em Psiquiatria. Sua formação de base não possibilita que ele conduza um processo de psicoterapia, a não ser que ele faça formação, posteriormente, em Psicanálise, e ainda assim ele não seria um Psicoterapeuta, mas sim, um Psicanalista. Um Psicólogo também pode fazer essa formação, e também passará a utilizar esse título.

Via de regra, o Psiquiatra tem como função lidar com os sintomas do paciente, através da prescrição de medicamentos. Não serão trabalhadas as causas desses sintomas, quando as mesmas possuem fundo emocional.

Dentro ainda da formação do Psicólogo Clínico, existem diferentes abordagens teóricas nas quais esse profissional pode especializar-se, e baseado nessa escolha, utilizará conceitos e visões de homem e de mundo específicos para orientar seu trabalho. Algumas delas são: Psicanálise, Abordagem Junguiana, Fenomenologia, Existencialismo, Humanismo, Gestalt Terapia, Cognitivo Comportamental, dentre outras. Em cada uma delas o Psicólogo utilizará técnicas diferentes, o relacionamento entre psicoterapeuta e paciente será diferente. Qual é a melhor? Essa não é a pergunta certa a ser feita. Na realidade, isso varia de pessoa para pessoa, com que abordagem ela identifica-se mais, com qual sente-se mais a vontade e consegue atingir melhores resultados, dependendo também de quais são os seus objetivos com a psicoterapia.

Para exemplificar, de modo bastante simplificado, vamos falar um pouco sobre a abordagem a qual dedico-me, a Fenomenologia Existencial. Utiliza-se, como base, conceitos filosóficos a respeito da relação interpessoal, sobre o homem, sobre o mundo, da Fenomenologia e do Existencialismo, correntes de pensamento da Filosofia. Como processo psicoterapêutico, o importante é o aqui e agora, os assuntos que são considerados fundamentais pelo paciente neste momento. Procura-se compreender qual o sentido que aquele sintoma, aquela dificuldade, aquela questão tem para ele. O seu passado será assunto a ser trabalhado apenas quando isso o ajudar a compreender o que está ocorrendo agora com ele. Outra questão importante é a relação estabelecida entre psicoterapeuta e paciente. Esta pode ser vista como uma reedição das relações que esta pessoa estabelece no seu dia-a-dia, seguindo os mesmos padrões (ou de forma muito semelhante). Por isso, a relação também será foco de atenção, dado que ajudará o paciente a compreender seus padrões de comportamento fora do consultório. Também será trabalhada a questão das escolhas, que fazemos o tempo todo, mesmo sem perceber, o que isso implica, e a responsabilidade que temos sobre isso.

O papel do Psicólogo é de facilitador do processo, mas o trabalho duro será do paciente. Por isso, não basta frequentar a psicoterapia. É preciso realmente dedicar-se a ela, investir seu tempo e sua energia, pensar sobre o que é falado. É talvez a única oportunidade na semana, por 50 minutos, que a pessoa terá para pensar sobre si mesma! Quem ela é, suas potencialidades, suas dificuldades, o que quer, seus projetos. Sair um pouco do "piloto automático", onde fazemos coisas sem pensar, sem refletir, sem compreender, coisas que depois podem prejudicar-nos, atrapalhar nosso desenvolvimento, nossas relações.
Portanto, é preciso mesmo coragem para enfrentar esse desafio, mas os ganhos alcançados posteriormente compensam esse risco. Dar o primeiro passo para procurar esse profissional muitas vezes não é fácil. O ser humano tem muita dificuldade em sair da sua zona de conforto, mesmo que essa não seja tão confortável assim... mas começar a refletir sobre isso, se a ajuda de um Psicólogo poderia ser benéfica para a pessoa em sua vida, no momento que está vivendo, já é um grande passo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Escolha Profissional


Para Freud, todo homem saudável é aquele que é capaz de amar e trabalhar. Mas nem precisamos recorrer a ele para afirmarmos a importância vital que o trabalho tem na vida de todos nós, na construção de nossa identidade, no lugar que ocupamos na sociedade, em como nos vemos e em como os outros nos vêem.

Por isso, normalmente, quando o adolescente vai aproximando-se do fim do Ensino Médio e, consequentemente, do vestibular, uma grande questão o assombra: O que vou fazer? Que carreira vou seguir? Que faculdade vou cursar? Como vou escolher agora uma coisa que eu vou ter que fazer pelo resto da vida?!

Geralmente o adolescente não possui muitas informações sobre os cursos, as carreiras, as faculdades, o mercado de trabalho. Somado a isso, muitas idealizações permeiam suas mentes criativas. O médico que salva a todos, o advogado que conhece todas as leis e é imbatível, o psicólogo que vai saber lidar com todos os seus problemas, e por aí vai. E nisso tem grande influência, também, todas as identificações que temos, muitas das quais nem nos damos conta.

E então o adolescente faz sua escolha, e está tudo resolvido. Seria bom que fosse assim. Ou não. A grande verdade é que tudo sempre pode mudar, ficar mais complexo, o que não é necessariamente ruim. Nós mudamos, o mundo muda, e muitas vezes aquela escolha que fazia muito sentido aos 18 anos, não faz nenhum aos 22. E agora?

Rodolfo Bohoslavsky, psicólogo argentino que dedicou-se muito ao assunto da Orientação Profissional, fala que o desenvolvimento da identidade ocupacional passa por algumas fases. A primeira seria a do crescimento, que vai dos 4 aos 14 anos, em que, sucessivamente, a vocação é determinada pelas fantasias da criança, em seguida ganha importância a questão dos interesses e dos gostos, e por último, as habilidades que se tem. A segunda fase é a da exploração, que compreende dos 15 aos 24 anos, e é a fase onde o jovem busca informações, faz aproximações com as carreiras, faz ensaios, através dos estágios da faculdade e suas primeiras experiências profissionais. A terceira fase é a do estabelecimento, que estende-se dos 25 aos 44 anos, que vai desde as tentativas e erros, mudanças de área, de especialização, até a estabilidade. A seguir, vem a fase de manutenção e, depois, de declínio, ou seja, uma desacelaração do ritmo, e preparação para a última fase, de aposentadoria.

Tudo isso sugere que, no momento em que o adolescente faz a escolha pelo curso da faculdade, ele está apenas no meio do processo, e não está ainda definindo sua identidade profissional, que ainda passará por mudanças e ajustes. No fim da faculdade, normalmente por volta dos 22 anos, o jovem ainda está na fase da exploração, o que explica a crise que normalmente ocorre sobre que especialidade seguir agora dentro do curso que foi escolhido.

E há também a possibilidade de mudar, e isso pode ocorrer logo após o fim da faculdade, ou mesmo depois de um tempo de carreira. Muitas pessoas, quando estão nessa situação e buscam uma Orientação Profissional, dizem: "Você deve estar achando meio estranho eu estar aqui, né, já estou meio velho para isso". Isso é muito mais comum do que as pessoas imaginam.

Há algumas semanas foi publicada uma reportagem na Revista Você S/A que dá dicas sobre como realizar uma mudança de carreira em diferentes fases da vida, os riscos de cada uma, e a questão do planejamento financeiro. Além disso, fala muito da importância do auto-conhecimento. E isso não é nada fácil de ser alcançado, sem ajuda de um profissional, porque lá pelas tantas você já não sabe bem porque pensa de um jeito, e não de outro, as questões que interferem na sua escolha, suas limitações, seus potenciais. Por isso, uma Orientação Profissional de Carreira, nesta situação, é muito interessante, porque permitirá discutir com um profissional, fora do seu círculo pessoal e afetivo, questões fundamentais e, muitas vezes, difíceis e delicadas sobre esse assunto.

A verdade é que a escolha feita aos 18 anos ainda será, por muito tempo, questionada, refeita, modificada. Embora não seja fácil, é preciso aprender a lidar com as incertezas, com as frustrações, com a insegurança... e se traz algum consolo, todos nós passamos por isso, em algum momento da vida.