quinta-feira, 19 de maio de 2011

Psicoterapia: para quê?


Há não muito tempo, dizia-se que Psicólogo era coisa para loucos. Portanto, as pessoas sentiam medo da exposição que teriam ao procurar a ajuda deste profissional. Hoje, nas grandes cidades, principalmente, isso mudou bastante. Dizer que faz psicoterapia é quase chic. Mas, qual é o trabalho do Psicólogo? Em que ele diferencia-se de um Psiquiatra? Quando procurá-lo?

Psicólogo é o profissional formado em Psicologia, curso de graduação que tem duração, normalmente, de 5 anos. Assim como em outras áreas, a Psicologia possui uma série de especializações, dentre elas a Psicologia Clínica. A psicoterapia é o processo conduzido pelo Psicólogo Clínico, com o objetivo principal de ajudar a pessoa que o procura a se autoconhecer, possibilitando, com isso, que ela possa reconhecer e desenvolver seus potenciais, manejar melhor momentos de crise, conhecer características próprias que atrapalham seu desenvolvimento, seus relacionamentos, e ter a oportunidade de mudar, ou ao menos, compreender por que age de determinadas maneiras.

O Psiquiatra é o profissional formado em Medicina, e que especializou-se em Psiquiatria. Sua formação de base não possibilita que ele conduza um processo de psicoterapia, a não ser que ele faça formação, posteriormente, em Psicanálise, e ainda assim ele não seria um Psicoterapeuta, mas sim, um Psicanalista. Um Psicólogo também pode fazer essa formação, e também passará a utilizar esse título.

Via de regra, o Psiquiatra tem como função lidar com os sintomas do paciente, através da prescrição de medicamentos. Não serão trabalhadas as causas desses sintomas, quando as mesmas possuem fundo emocional.

Dentro ainda da formação do Psicólogo Clínico, existem diferentes abordagens teóricas nas quais esse profissional pode especializar-se, e baseado nessa escolha, utilizará conceitos e visões de homem e de mundo específicos para orientar seu trabalho. Algumas delas são: Psicanálise, Abordagem Junguiana, Fenomenologia, Existencialismo, Humanismo, Gestalt Terapia, Cognitivo Comportamental, dentre outras. Em cada uma delas o Psicólogo utilizará técnicas diferentes, o relacionamento entre psicoterapeuta e paciente será diferente. Qual é a melhor? Essa não é a pergunta certa a ser feita. Na realidade, isso varia de pessoa para pessoa, com que abordagem ela identifica-se mais, com qual sente-se mais a vontade e consegue atingir melhores resultados, dependendo também de quais são os seus objetivos com a psicoterapia.

Para exemplificar, de modo bastante simplificado, vamos falar um pouco sobre a abordagem a qual dedico-me, a Fenomenologia Existencial. Utiliza-se, como base, conceitos filosóficos a respeito da relação interpessoal, sobre o homem, sobre o mundo, da Fenomenologia e do Existencialismo, correntes de pensamento da Filosofia. Como processo psicoterapêutico, o importante é o aqui e agora, os assuntos que são considerados fundamentais pelo paciente neste momento. Procura-se compreender qual o sentido que aquele sintoma, aquela dificuldade, aquela questão tem para ele. O seu passado será assunto a ser trabalhado apenas quando isso o ajudar a compreender o que está ocorrendo agora com ele. Outra questão importante é a relação estabelecida entre psicoterapeuta e paciente. Esta pode ser vista como uma reedição das relações que esta pessoa estabelece no seu dia-a-dia, seguindo os mesmos padrões (ou de forma muito semelhante). Por isso, a relação também será foco de atenção, dado que ajudará o paciente a compreender seus padrões de comportamento fora do consultório. Também será trabalhada a questão das escolhas, que fazemos o tempo todo, mesmo sem perceber, o que isso implica, e a responsabilidade que temos sobre isso.

O papel do Psicólogo é de facilitador do processo, mas o trabalho duro será do paciente. Por isso, não basta frequentar a psicoterapia. É preciso realmente dedicar-se a ela, investir seu tempo e sua energia, pensar sobre o que é falado. É talvez a única oportunidade na semana, por 50 minutos, que a pessoa terá para pensar sobre si mesma! Quem ela é, suas potencialidades, suas dificuldades, o que quer, seus projetos. Sair um pouco do "piloto automático", onde fazemos coisas sem pensar, sem refletir, sem compreender, coisas que depois podem prejudicar-nos, atrapalhar nosso desenvolvimento, nossas relações.
Portanto, é preciso mesmo coragem para enfrentar esse desafio, mas os ganhos alcançados posteriormente compensam esse risco. Dar o primeiro passo para procurar esse profissional muitas vezes não é fácil. O ser humano tem muita dificuldade em sair da sua zona de conforto, mesmo que essa não seja tão confortável assim... mas começar a refletir sobre isso, se a ajuda de um Psicólogo poderia ser benéfica para a pessoa em sua vida, no momento que está vivendo, já é um grande passo.

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